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A Revolução Será Tuítada: #forasarney

Nada permanece eterno: tudo se estraga com o tempo e deixa de ser eficiente. É a natureza que faz questão de trocar o antigo pelo novo. É a ordem da folha seca. Uma hora, tudo que era lógico e eficaz mostra defeitos. É a substituição da peça. É a razão do tempo.

A única forma de não perecer é não permanecer o mesmo. A lendária foto de Che Guevara (com os cabelos ao vento, barba e boina) – clicada por Alberto Korda, um ano após a revolução cubana de 59 – só é símbolo da liberdade, da luta e do heroísmo porque Che fatalmente morreu aos 39 anos. Enquanto Guevara permanece na História como mártir da libertação popular, Fidel Castro hoje é tido como vilão, e ditador. Che Guevara não chegou a envelhecer e, por isso, não se tornou obsoleto. Já Fidel, infelizmente, foi engolido pelo tempo.

Tudo ficará velho. Envelhecer é natural. O problema está em ficar ultrapassado, não admitir ser substituído e perpetuar, arrogantemente, seus erros e vícios, que prejudicam a lógica da substituição.

Nós, brasileiros, estamos passando por um processo de mudança necessário para um país que pretende alcançar sua plenitude democrática, condizente com o século XXI. Aos poucos tentamos nos separar de resquícios da República Velha. É a ordem natural da substituição: o arcaico pelo moderno. Mas quem há séculos se farta da cômoda situação que nos prende ao passado não admite tal mudança e tenta, unicamente em busca de interesses próprios, permanecer no poder, através de esquemas fraudulentos, com trocas de favores e jogatinas criminosas. Cargos políticos, diferente do que se apresenta, não são – nem podem ser – patrimônio hereditário, mas um espaço público no qual homens capazes devem exercer o principal dever cívico: a representação popular.

No meu Estado, o jornal de maior circulação é a Gazeta de Alagoas, um dos diversos veículos de comunicação das Organizações Arnon de Mello, que têm como dono o ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello. A família proprietária do jornal representa uma oligarquia que ocupa cargos públicos desde, antes mesmo, a revolução de 1930. O avô materno de Collor foi deputado federal em 1923. No Maranhão acontece o mesmo: a famiglia Sarney controla o Estado política e economicamente, o que nos faz lembrar um feudo da idade média. Mas, aos poucos, percebemos pequenas e importantes mudanças.

O jornal Gazeta de Alagoas de hoje, quando chega à minha casa pela manhã, traz notícias, filtradas, de ontem. E o jornal de amanhã contará, filtrando, apenas o que aconteceu hoje. Já na internet, a notícia fica velha em dez minutos. Entre o acontecimento e a veiculação da informação são segundos, que quebram qualquer sistema – criado por qualquer natureza de interesse – que tente filtrar a notícia. É uma mídia descentralizada, o que a torna impossível de ser controlada. Aconteceu recentemente no Irã: com os protestos por causa do resultado da eleição, o governo fez uma tentativa frustrada de censurar a imprensa nacional e internacional. Como pegar água com a mão, as notícias escorreram pelo mundo através da internet.

A juventude da classe média tem um grande poder nas mãos, que permite o livre exercício da liberdade de expressão e o pleno acesso à informação de qualidade. A nossa mobilização virtual – mesmo que atrapalhada por pseudo-artistas que tentaram, como sempre, apenas se auto-promover (Marcos Mion, 30 anos, recebeu um sermão do ator americano Ashton Kutcher, ao pedir inúmeras vezes que ele repetisse a hashtag #forasarney http://www.youtube.com/watch?v=5kNoYovrP6U ) – chamou a atenção das mídias convencionais, que, ironicamente, são em grande maioria propriedade dos grupos políticos que criticamos. Pode não parecer, mas essa repercussão é um grande passo para nossa geração, taxada de apolítica. Esta é a hora de lutarmos pela mudança que desejamos.

Eu acredito nesta mudança e acredito na força do novo. Eu acredito na mobilização de uma população consciente e na democracia plena. Meu pai me ensinou que nós jovens não podemos ter menos esperanças que os mais velhos: #forasarney.

Originalmente postado em: http://www.mcorporation.com.br



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